segunda-feira, 21 de julho de 2014

Sobre Minha experiência com Kiriku



Assisti ao filme na faculdade. E o Mestre que me passou esse filme era maravilhoso. Encheu nossos olhos de esperança e nossos horizontes com a luz da educação. Eu olhava para este professor e tinha vontade se ser uma professora como ele era. Seu nome é Marcos Drewniak.
Quando me tornei professora, de 6º ao 9º Ano e Ensino Médio, eu passei a trabalhar com Arte Africana e trabalhava com o filme Kiriku. E trabalho todos os anos. E assisto junto todos os anos. E passo para meu filho que tem 3 anos.
Sabe o que percebi, ao trabalhar com esse filme? Que alguns alunos se identificam com o personagem. Por serem negros, por serem baixinhos, por ninguém querer brincar com eles. Porque se cansam de lutar sempre sozinhos.
Esse ano, decidi colocar em uma pequena avaliação a pergunta sobre uma das falas do personagem
“ÀS VEZES FICO CANSADO DE LUTAR SEMPRE SOZINHO”
Você já se sentiu como Kiriku, cansado de lutar sozinho?
As respostas foram tão poéticas... tão cruéis.... tão reais.
“Não, porque minha família está sempre pra me ajudar”
“Não, porque eu tenho 7 irmãos e nunca consigo ficar sozinho.”
“Sim, porque eu também sou pequeno e negro e já tive que ficar sozinho no recreio. O Kiriku também não tinha criança que queria ficar e brincar com ele”
“Já. Mas minha mãe me disse que Deus está com a gente mesmo que a gente se sinta sozinho. E a gente não pode fazer coisas erradas porque Deus vê tudo.”

Esse mesmo aluno que falou de Deus, disse que não acreditava em Bruxas e feiticeiras e que a mãe dele ficou braba. E Eu tive que explicar que era apenas uma história, como o saci Pererê. 

Logo depois, na escola do meu filho, também questionaram sobre um "filme que ele teria assistido em casa". Mandei o  filme para a escola e eles julgaram não ser apropriado para a faixa etária

Acabei... e fiquei tão confusa... com tanta poesia que há no filme e um resgate de valores e uma cultura tão diferente... Será que o mundo anda tão globalizado que nossa cultura tenha que ser a mesma, no mundo inteiro? Que saibamos que somos todos diferentes mas temos que fingir que somo todos iguais? Não somo iguais. E somos todos perfeitos em nossas diferenças. O que seria dos meus alunos, então, se eu fosse passar "A viagem de Chirriro"?!? 

Resolvi trabalhar as diferenças. E vou continuar trabalhando com  filme. Que alem de belíssimo, me mostra que podemos achar pontos em comum, até mesmo em culturas tão diferentes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Falando nisso... deixe seu comentário: