quarta-feira, 4 de abril de 2012

CONSTRUINDO A LUTA

   Não sou a pessoa mais indicada para falar sobre política e luta de classes. Na verdade sou a mais ignorante no assunto. Mas com um marido da extrema esquerda, sindicalista desde o nascimento, aprendi a defender algumas ideias e alguns direitos também. Aprendi a distinguir o discurso certo do errado.  Como professora, acredito na Luta da Classe e comecei a me interessar pelo assunto no ano em que comecei a lecionar. Mas a história hoje é outra. Já dizia Bertold Brecht:

"Existem homens que lutam um dia e são bons; existem outros que lutam
 um ano e são melhores; existem aqueles que lutam muitos anos e são
 muito bons. Porém, existem os que lutam toda a vida. Estes são os 
imprescindíveis" 

    Existe uma mobilização da classe para exigir os direitos que os profissionais da educação já conquistaram por lei, mas que ainda não são colocados em prática. Em uma das redes sociais, li este texto de uma amiga professora. E achei lindo. Resolvi divulgar.

Fazer ou não fazer greve, eis a questão?

O mundo poderia ser dividido entre três tipos de pessoas, os que não fazem greve e argumentam, os que simplesmente não fazem e os que vão a luta!
Nos últimos dois dias da minha vida de pacata cidadã, eu experimentei o clima de negociações, e as transações deste mundo 'quase' a parte que é o mundo dos sindicalistas. Não temos a cultura da 'greve', diferente do velho continente, não estamos acostumados a reivindicar, a exigir nossos direitos. Sim, na Europa o povo vai pra rua a qualquer alarme negativo q influenciará o coletivo.Isso quer dizer que na França só vive pessoas esclarecidas?Não deve ser isso. O que há o q existe de fato, é a cultura do medo. Já falamos isso em outras situações, existe até a arquitetura do medo. Espera aí, n quero falar da violência, pelo menos não a que está diretamente ligada ao medo. Quero compartilhar com as colegas q não estavam presentes nas manifestações, este gostinho de felicidade que invade o coração quando nos livramos do 'medo' de enfrentar os nossos próprios medos.Direito a greve existe e é constitucional.E direito a NÃO fazer a GREVE não consta em nenhum tratado, deve ser porque não precisamos escrever páginas e páginas para confirmar o óbvio, afinal ninguém produz provas contra si mesmo, não é?Não tô triste porque hoje na escola q dou aula, as professoras estavam todas lá, como diz o poeta 'cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.' E sim por nossas crianças, o conceito de cidadania não está morto nos livros de história...cidadania é volátil, é vivo, andante.Por isso, penso na importância do exercício da cidadania.Sentar tranquila e calma na sala de jantar enquanto o processo histórico acontece lá fora, logo ali ao lado, n gera educação.Pois é, violência gera violência não é?E por sua vez, cidadania gera cidadania. Queridas, admiro tanto vocês, ensinar a escrever é tão lindo e tão cidadão, a geografia do Paraná, adição, subtração, cores primárias e secundárias, tudo é tão importante. Como sabemos não existe médico, advogado e bábláblá sem nós, 'as tias da educação' mas precisamos ensinar a essa geração coca-cola ou não, a protestar, a criticar e reivindicar. Só assim, seremos tão luxo quanto os franceses! ;)

 Não estou aqui para tomar parte de nenhum lado. Quero apenas refletir sobre alguns cometários que surgiram. Ver pessoas defendendo a imprensa e dizendo que os professores deveriam estar na sala de aula ao invés de fazer greve? Escutar pessoas esbravejando que os professores já ganham o suficiente e que tem gente que vive com R$540,00? Que estamos reclamando de barriga cheia?!?! 

E as condições em que trabalhamos? A quantidade de alunos? A condições das escolas? A hora-atividade? A qualidade das escolas? A inclusão? O ensino? O material didático? O SAS e o SUS?!?! Não é só por salário que estamos lutando... É pela educação de SEUS FILHOS! DE NOSSOS FILHOS!

O que nos leva a uma questão ainda maior. Pois a crise não é APENAS da educação. O Brasil está em crise desde o dia de sua "Descoberta".

 Lendo uma das antigas revistas do Henfil, é triste perceber uma realidade...  O Brasil da Graúna é o Brasil de Médici, Geisel e Figueiredo. Quando suas histórias foram relançadas no jornal O Globo em 1992 a mesma Graúna se tornou do Sarney. Mas poderia ser do Fernando Henrique, do Collor e até da Dilma! Histórias de mais de 30 anos continuam se repetindo. E a velha Graúna da Ditadura Militar continua contando histórias de nosso Brasil de hoje. Os problemas continuam se repetindo e nada muda. Ninguém faz nada. Ninguém vai a luta. Não exercemos o nosso direito a CIDADANIA. E a Graúna de Henfil continua mais atual que nunca. Mostrando este nosso País que desvaloriza o professor, valoriza o corrupto, um Brasil que se curva e se Vende. Até nas Redes Sociais.





 




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